O GOLPE PALACIANO

por MARCUS OTTONI

    A convocação de uma Assembléia Constituinte para, exclusivamente, debater e aprovar uma reforma política para o Brasil é na verdade um “golpe velado” da presidenta Dilma e do seu partido, lógico, para empurrar um novo modelo de processo político a ser implantado no Brasil para as eleições de 2016, se não, para as eleições de 2018, quando se enceraria  em teoria, o segundo mandato da presidenta do PT , caso ela vença as eleições de 2014.
   Arrastar a reforma política para o debate especifico de uma Assembléia Constituinte é receber uma autorização para governar em “céu de brigadeiro”, via medidas provisórias, com a aquiescência do parlamento que estaria envolvido na elaboração do novo processo político do país. Outro detalhe é que com os mecanismos aparelhados nos últimos dez anos pelo PT enquanto Governo Federal, o lobby das ONGs, sindicatos, associações e tantos outros organismos sociais instrumentalizados e financiados legalmente com recursos da União, cairia como “tromba d´água” sobre os “constituintes da reforma” produzindo um  gigantesco efeito de rolo compressor, para inserir no novo modelo político brasileiro os interesses pontuais corporativos  e partidários, para não dizer coisa pior, dos aliados do atual governo.
  Mas o interessante da “bordunada da Dilma” é que com o tal “pacto” o PT puxa a sociedade para uma discussão importante no âmbito da pauta geral reivindicada pelo povo brasileiro nas demonstrações de indignação que transformaram o junho num grande e belo “arraiá de protestos” por todo o país, mas isola, ou anestesia, o movimento popular de outros temas tão importantes quando a moralização do processo político brasileiro, provocando um debate focado apenas na reforma política e não na totalidade das mazelas da administração petista ao longo da última década que precisam ser corrigidas urgentemente.
   A mudança de foco é uma estratégia protecionista do governo que,assim, vai blindando seus escândalos e rolando indefinidamente as decisões sobre outros importantes questionamentos para debaixo do tapete do Planalto, ganhando tempo para desarticular a mobilização da sociedade e deixar tudo como antes no palácio de Dilma. 
   A “Constituinte da Reforma” para ser legítima tem que debater uma nova Constituição, fazendo com que a “Constituição Cidadã” do falecido Ulisses Guimarães, se torne mais ágil e mais atual, como por exemplo, tornando o voto facultativo como em todas as democracias do mundo e reduzindo a maioridade penal para o mesmo limite da idade eleitoral, como acontece em muitos países do planeta, entre outras coisas...

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