Investigação ampla, geral e irrestrita nos integrantes da “União pela Mudança”

(Marcus Ottoni – jornalista)
  Nos últimos quatro anos (2014-2017) o ex-presidente da Câmara Federal Henrique Eduardo, também ex-ministro de Estado do Turismo nos governos Dilma e Temer e presidente estadual do PMDB, vem assistindo ao desmonte de seu histórico político construído ao longo de mais de 50 anos de vida pública e quase uma dúzia de mandatos como deputado federal, desde os idos da instalação do governo militar em 1964.
  Henrique Alves que é o herdeiro político do pai, ex-governador Aluízio Alves, sempre esteve presente nos momentos mais importantes da vida republicana do Brasil quando o país precisou unir seu povo em defesa de conquistas fundamentais para o restabelecimento da democracia plena e garantir direitos constitucionais para a normalidade institucional de uma nação fragilizada por longos anos sob a batuta dos militares pós 1064.
  Considerado um dos homens do presidente Temer e com forte influência no PMDB, Henrique se vê agora no meio de um dos maiores esquemas de corrupção já montado no país, com origem no governo Lula da Silva com desembarque em outros partidos que assimilaram e aperfeiçoaram a forma de roubar o tesouro nacional e de se organizar junto a empresários inescrupulosos que, ao longo de quase uma década e meia, realizaram um verdadeiro festival de imoralidades e roubo descarado do patrimônio do povo brasileiro.
  E como não poderia deixar de ser, a lama se sobrepõe ao chão de areia e revela a podridão que se escondia nos bastidores da política brasileira, com políticos corruptos parceiros de empresários corruptos, roubando o dinheiro do contribuinte para se manter no Poder e ampliar as atividades de conglomerados empresariais construídos com recursos retirados de programas sociais, da saúde, educação, segurança, mobilidade etc...
  E lá se foi Henrique Alves sugado pela justiça e transformado em liderança da organização criminosa montada pelo seu partido que o beneficiou com recursos estratosféricos para custear sua campanha para o governo do Estado em 2014, comprando apoios de políticos com e sem mandato e partidos de aluguel que se venderam por alguns tostões sujos e carimbados com o selo da corrupção escancarada e achada impune até o juiz Sérgio Moro descobrir um posto de combustível em Brasília que, além de lavar caros, lavava dinheiro da corrupção institucionalizada na Petrobrás pelo PT com ramificações no PMDB e PP.
  Não é de se estranhar que o Ministério Público Federal destrinche a rede de apoio comprada por Henrique Alves na eleição de 2014 para o governo do Estado. Foi muito dinheiro derramado para tentar eleger o ex-presidente da Câmara Federal governador do Rio Grande do Norte. Foi, e os registros estão aí, a mais bem engendrada articulação da história política do estado, reunindo num mesmo palanque adversários históricos e uma gama invejável de partidos e lideranças políticas com e sem mandato.
  A candidatura de Henrique Alves, ancorada pelos milhões propinados das construtoras investigadas pela Operação Lava-Jato, reuniu em torno do ex-ministro do Turismo nada menos do que 18 partidos, 120 prefeitos e 900 vereadores pinçados dos 167 municípios potiguares. A aliança apelidada de “União pela Mudança” se dividiu em três sub-coligações proporcionais, ficando a principal composta por PMDB, PSB, PR, PROS, DEM, PSD, PDT e PRB; outra com PPS, PHS, PTB e PV; e a terceira com PSDB, PSC, PSDC, PMN e PRP. E, por aí, foram sangrando os milhões extraídos corruptamente do tesouro nacional pelas construtoras.
  O Ministério Público Federal vem realizando uma verdadeira radiografia da organização criminosa comandada por Henrique Alves no Rio Grande do Norte e seus tentáculos partidários com benefícios financeiros para integrantes de legendas, candidatos, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, ex-vereadores e todos que direta ou indiretamente se beneficiaram com os recursos da corrupção que bancou a campanha da aliança “União pela Mudança” e montou um enorme palanque com recursos oriundos da corrupção.
  Resta esperar que todos os envolvidos na organização criminosa e beneficiados com recursos do “Propinoduto Alves” sejam denunciados e punidos exemplarmente para que a eleição do ano que vem, quando se renovará os principais poderes da República: Câmara dos Deputados, Senado Federal (duas vagas) e a presidência da República, além da Assembleia Legislativa e o Governo do Rio Grande do Norte, não seja contaminada e não tenha, o eleitor, o desprazer de encontrar na urna a legenda do partido, a foto e o nome de um integrante da organização criminosa que lavou milhões de reais em 2014 para tentar eleger governador um dos operadores do mais inescrupuloso escândalo da política e dos políticos brasileiros e potiguares.

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