Janot: o contra ataque lulopetista

 
Joesley Batista confessando seus crimes na PGR

(Marcus Ottoni – jornalista)
  Sem querer manifestar qualquer defesa do presidente Michel Temer ou de qualquer outro investigado pela delação dos empresários criminosos Joesley e Wesley da JBS, fico, a cada dia, mais convencido de que a delação desses criminosos junto com seus cumplices na empresa é uma contra ofensiva do lulopetismo para desestabilizar o país e colocar em cheque as instituições republicanas, com ressalva (???), no caso, para o Ministério Público e o Poder Judiciário.
  É interessante notar que o foco é o presidente, o PMDB e o principal partido de oposição ao lulopetismo de acordo com a ótica maniqueísta dos esquerdopatas enrustidos na política e nos meios de comunicação doutrinada, além daqueles instrumentos classistas e organizações da sociedade civil atreladas aos governos Lula e Dilma, responsáveis, não apenas pelo caos em que o Brasil se encontra, mas e, sobretudo, pela institucionalização da mais perversa e predatória prática de roubar o tesouro nacional por meio de empresas e empresários bandidos na mais profunda concepção da palavra.
  É notório que a delação dos Batista da JBS, defendida com “togas e verves” no plenário do STF para manter tudo como está e ficar do jeito que Janot e Fachin querem, é um prêmio a quem durante anos e anos participou criminosamente de um esquema montado pelo PT que enriqueceu os irmãos bandidos, ampliou a empresa e garantiu trânsito livre para a corrupção ao longo dos governos Lula e Dilma. É uma ode a impunidade consagrada pela Justiça brasileira premiando quem deveria estar na cadeia e não passeando de jatinho pelo céu azul anil da pátria que foi roubada e vilipendiada por essa dupla caipira criminosa (que me desculpem os caipiras).
  Interessante é o comportamento da Procuradoria Geral da República que desconsiderou declarações dos criminosos da JBS. De fato, só interessam a PGR denúncias que envolvem o presidente e todos os seus homens de confiança, além do tucanato nacional e sua principal e mais conhecida liderança política. Se o alvo era investigar o presidente, mesmo com práticas condenáveis como instrumentalizar a criação de provas por parte de criminosos a serviço da PGR e da Polícia Federal, tudo bem. Foi feito com sucesso.
Rodrigo Janot, chefe da PGR
  

  Porém, por que a PGR desconsiderou declarações importantes no rol das investigações para desmontar a “organização criminosa” chefiada pelo presidente, conforme entrevista do bandido goiano à revista Época, ligada a TV Globo? Uma questão que está passando despercebida, ou, na melhor das hipóteses, deixada esquecida sem menção ou apuração por parte de Janot. Quando o criminoso goiano declara a PGR que pagou “mensalão” para dois presos da “Lava Jato”, Eduardo Cunha e Funaro, com objetivo de garantir o silêncio deles e evitar acordos de delação premiada, não houve qualquer menção, nem da PGR (Janot), nem do STF (Fachin), no sentido de identificar as datas em que foram efetuados os pagamentos; se em espécie, quem os recebeu, como e onde; e, se via depósito, em qual banco, agência, conta corrente e titularidade.
  Essa é uma informação que não pode ser descartada porque é nela que se situa a tal obstrução de justiça, que, pode inclusive, revelar outros integrantes da “Organização Criminosa” liderada por Temer e operacionalizada por todos os homens do presidente. Descartar ou desconsiderar essa informação é um fato grave porque a informação apenas, sem as devidas provas do desembolso financeiro comprovado, é nula para qualquer efeito legal, valendo apenas como ação política com viés jurídico. Por que a PGR e o STF desconsideraram essa informação?
  Outra questão não muito bem investigada é a relação espúria entre os criminosos da JBS e os governos Lula e Dilma, fiadores de todas as falcatruas promovidas por Joesley e Wesley Batista ao longo de mais de uma década. A citação de que Lula e o PT foram os responsáveis pela institucionalização da corrupção nas ações do Governo Federal junto a empresários sem escrúpulos, deveria, para o bem do Brasil, ser motivo suficiente para levar para a cadeia o ex-presidente e seus séquitos de salteadores lulopetistas. Por que a PGR e o STF não agiram com o mesmo procedimento adotado para o PSDB e o PMDB?
  E por aí vai o rol de declarações importantes, desconsideradas pela PGR e STF, que servem para o desmonte de todas as quadrilhas de criminosos que atuam nos partidos e nos governos do Brasil (federal e estaduais), não apenas desta ou daquela organização marginal partidária ou de políticos corruptos ou empresário desonesto. As ações da PGR e do STF, no caso dos criminosos goianos da JBS, premiam o crime organizado e passam a imagem para o mundo de que no Brasil o crime realmente compensa, que vale a pena roubar o tesouro nacional tirando recursos de áreas deficientes do Poder Público como saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, saneamento básico, e penalizando, inescrupulosa e covardemente, a sociedade brasileira que se vê a mercê de criminosos que saem impunes graças à confissão do crime, por mais hediondo que seja, no Ministério Público Federal com aval do Supremo Tribunal Federal.

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