O "Cerca Temer"
(Marcus Ottoni – jornalista)
A ida dos irmãos Batista à Procuradoria Geral da República pedindo socorro ao órgão para não serem presos junto com executivos da J&S, empresa controladora do grupo JBS, oferecendo como contra partida da bandidagem de colarinho branco a confissão de crimes cometidos por eles ao longo de toda era petista, com direito a flagrantes de gravações e filmagens pela Polícia Federal, desencadeou o “Cerca Temer” que deverá apear o presidente Michel Temer do cargo de presidente da República.
De lá prá cá, o que se vê é um bombardeio midiático sobre o presidente eleito com Dilma com os votos dos petistas em repetidas e cansativas narrativas da delação premiadíssima dos goianos Batista e a marcação sobre pressão da PGR em Temer e todos os homens do presidente. Estão caindo como pedras de dominó empurradas pela confissão de um dos maiores criminosos que a era Lula já produziu para aboletar-se com o dinheiro público e propinar centenas de políticos inescrupulosos Brasil a fora.
O “Cerca Temer” tem por objetivo cassar o mandato do presidente e alinhar o PMDB ao PT no quesito corrupção, puxando para o buraco o PSDB e suas lideranças nacionais, evitando assim que as principais candidaturas desses partidos sejam viabilizadas no próximo ano e disputem a Presidência da República com possibilidades de ganhar a eleição, assumir o cargo e reeditar o processo criminoso montado em parceria com empresários, partidos e políticos dos mais diversos matizes tupiniquim.
Para isso, o bombardeio midiático, principalmente nos telejornais da rede Globo, e as investidas contra Temer e todos os seus homens pela PGR tem por finalidade desmontar qualquer tipo de articulação e defesa de Temer para conseguir ficar presidente até o final de 2018, principalmente quando o Tribunal Superior Eleitoral julga o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer feito pelo PSDB enquanto oposição e legenda derrotada na eleição de 2014. Se esse julgamento se estender por prazo indefinido, com algum pedido de vista por um dos ministros da Corte, há ainda a delação dos Batista que pode levar Temer a perder cargo por meio de um processo de impeachment ou mesmo pela renúncia do presidente.
Nesse caso, e dependendo do andamento PEC das diretas em discussão no Congresso Nacional, a solução será o cumprimento da Constituição que determina eleição indireta promovida pelo atual Congresso Nacional, com senadores e deputados federais elegendo o “presidente tampão” para concluir o mandato de Temer até 31 de dezembro do ano que vem e transferindo a faixa presidencial para quem for eleito nas eleições presidenciais de outubro de 2018.
De qualquer forma, o atual governo do PMDB chegou ao seu final antes mesmo de concluir o mandato que lhe deu o PT quando atrelou Michel Temer a Dilma Rousseff e com isso recebeu os mais de 50 milhões de votos de petistas, alinhados partidários e agregados como militantes do MST, CUT, UNE, etc, legitimando a traição de Temer ao PT e sua posse após o afastamento de Dilma da Presidência, constitucionalmente legal. A pergunta agora é: quem vai para o trono?
Pela eleição indireta, como determina a Constituição, qualquer brasileiro que esteja em conformidade com a legislação e filiado a um partido político pode colocar seu nome para votação no Congresso Nacional, independente de ser ou não parlamentar. Levando-se em conta o corporativismo da Casa e o voo da mosca azul, o candidato a “presidente tampão” deve sair de uma das duas Casas Legislativa que formam o Congresso Nacional – Senado da República e Câmara dos Deputados.
A oposição traída pelo PMDB (leia-se PT/PCdoB/PDT) cospe na própria cara quando alega a necessidade da realização de eleições diretas logo que Temer deixe o cargo, justificando a proposta com a falta de legitimidade do Congresso Nacional para escolher o tal “presidente tampão” porque, tanto o Senado como a Câmara, estão envolvidos em esquemas de corrupção, organização criminosa, propinas e todos os crimes que a Operação LavaJato tornou público com o desmantelamento do programa de governo do lulopetistmo que institucionalizou a corrupção no Brasil ao longo de 13 mal fadados anos de administração petista no governo federal.
Pois bem: lamentavelmente é verdade o discurso da oposição ao governo do PMDB. Infelizmente e contando com a participação de políticos da oposição, o atual Congresso Nacional é uma vergonha para o país. Mas isso não justifica “rasgar a Constituição” para atender interesses mais escusos ainda de parte da classe política brasileira. Em meio a lama em que chafurdam os políticos no Congresso Nacional, se destacam parlamentares cujo mandato está em sintonia com os anseios da sociedade brasileira e que podem assumir o Palácio do Planalto, levando o Brasil para uma posição mais alinhada com a democracia, resgatando a credibilidade da classe política e expurgando da vida pública tipos como Lula, Aécio, Temer e tantos outros que macularam a imagem do Brasil, transformando a República num verdadeiro prostíbulo político.
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