Candidatura de Juliane Faria ao governo em 2018 é um projeto em construção


Juliane Faria, esposa do governador Robinson, pode ser a alternativa em 2018

(Marcus Ottoni – jornalista)
  Enquanto o ambiente em Brasília continua nebuloso e incerto sobre o destino do presidente Michel Temer e as consequências políticas (e criminais) da operação Lava-Jato e, ainda, como se comportará as eleições do próximo ano, no Rio Grande do Norte as informações de bastidores dão conta da estruturação de um novo caminho para a sucessão do atual governador, desgastado política e eleitoralmente pelo desandar da carruagem de sua administração.
  O “Calcanhar de Aquiles” do governador Robinson Faria é, sem dúvida, a segurança pública, área que vem desgastando sistematicamente sua gestão e colocando em xeque uma possível reeleição para o cargo em 2018. Além do desastre na segurança, o funcionalismo público estadual que sempre foi o termômetro das gestões no Rio Grande do Norte é outro fator que compromete a pretensão de Robinson Faria em permanecer por mais quatro anos no comando da chefia do Executivo potiguar.
  Em sendo assim, a alternativa que vem sendo construída no tabuleiro político do estado pelo governador é doméstica no melhor sentido da palavra e tem foco na primeira dama do estado, Juliane Faria, atualmente exercendo o cargo de Secretaria Estadual de Trabalho, Habitação e Assistência Social (SETHAS). Bacharela em Direito e Analista de Sistemas, ela vem cumprindo uma extensa agenda pelo interior do estado garimpando apoios e angariando simpatias importantes pelo trabalho realizado como secretária de governo responsável por programas voltados para os menos favorecidos e mais necessitados das ações do governo.
  Juliane Faria é presidente do PSD Mulher poderá ser a candidata ao governo do estado pelo partido para suceder o marido Robinson Faria. Sua candidatura vem sendo alimentada pelos aliados mais próximos do governador e começa a ganhar musculatura política dentro do projeto de Robinson Faria que tem como objetivo manter o governo do Estado sob seu controle e ampliar a participação familiar no âmbito do Congresso Nacional fazendo dobradinha com o filho, deputado federal Fábio Faria, disputando uma das duas vagas para o Senado Federal.
 Para isso, Robinson Faria deverá deixar o governo em abril de 2018, desincompatibilizando-se do cargo e ficando livre para trabalhar a candidatura da esposa ao governo do Rio Grande do Norte e disputar um mandato de senador da República. Evidente que essa engenharia não depende apenas da vontade do próprio Robinson. Há vários elementos que entram nesse contexto e que podem, ou não, concretizar um projeto político dessa envergadura.
 Acuado pela crise que se instalou no Brasil logo depois da eleição da chapa Dilma/Temer, ainda no final de 2014, o governador viu a intenção de fazer de sua gestão um modelo de administração pública ir para o buraco, empurrada, principalmente pelas ações desastrosas e inúteis na área da segurança pública, o que derrubou sua gestão nocauteando seu único projeto para a área: “Ronda Cidadã”. Depois viu seu governo mergulhar numa crise sem precedente com o funcionalismo público, categoria que vem sendo vilipendiada em seus direitos pela falta de recursos para colocar em dia o pagamento dos servidores do Estado.
  Além disso, Robinson Faria e o filho Fabio Faria, explodiram a aliança com o senadora petista Fátima Bezerra e com o Partido dos Trabalhadores (PT) ao se posicionarem a favor da troca de Dilma por Temer na Presidência da República. Em tese, eleitoralmente pode até não representar muito desgaste já que o PT e seus militantes no Rio Grande do Norte pouco ou quase nada representam em termos eleitorais sem a máquina federal azeitada pelos IFRNs e pelo dinheiro fácil das doações propinadas da Petrobras, mas a “traição” aumenta o coro dos insatisfeitos com Robinson que são, na maioria, os detentores do controle das entidades sindicais, porta-voz dos milhares de servidores descontentes com a política de pagamento do atual governo, entre outras maledicências.
  O ônus desses desastres administrativos é muito grande. E mesmo com a tal “falta de memória” do eleitor e a “curralização eleitoral” culturalmente incrementada pelas ditas lideranças políticas, o risco de um insucesso eleitoral e a possibilidade de entregar a administração do Estado para a oposição é real. Politicamente, desnecessário para quem pretende firmar sua oligarquia no universo político do Rio Grande do Norte.
  Num quadro pintado com essas cores, o ideal é construir um atalho para continuar a caminhada. Em sendo assim, o governador Robinson Faria pode sim buscar a alternativa da construção de um projeto político que tenha como foco a eleição de sua esposa para governar o Rio Grande do Norte, a partir de 2019, e sua eleição para senador da República em dobradinha com o filho Fabio Faria para um novo mandato de deputado federal.
  Para que essa engenharia dê certo é preciso contar e incluir a participação de alguns aliados-amigos cujos interesses não sejam prejudicados e que haja vantagens políticas e pessoais em suas participações no projeto que poderá levar a primeira-dama Juliane Faria a ser eleita governadora do Rio Grande do Norte em 2018. Nesse arcabouço, dois nomes surgem como fundamentais para que e se consolide essa estratégia, atraindo mais aliados e apoiadores: Fabio Dantas (PCdoB), vice-governador; e Ezequiel Ferreira (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa. 
  Nesse ponto, a “porca torce o rabo” e a “pulga pula pra trás da orelha”. Fabio Dantas, do PCdoB, tem estreitas ligações com o PT da senadora Fátima Bezerra e no caso de assumir o governo estaria livre para direcionar a máquina numa aliança PCdoB/PT, nomeando secretários dos dois partidos e trabalhando contra Robinson e seu projeto pessoal. Por outro lado assumiria o desconforto dos problemas gerados no período do atual gestor nas áreas da segurança e funcionalismo público, além de sofrer retenção de verbas federais caso o presidente Temer do PMDB de Henrique Alves continue no poder até as eleições do ano que vem.
 Já o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira, tem clara pretensão de deixar o estado para ir “trabalhar” na capital do país como senador da República. Seria, caso o projeto “Juliane governadora” se cristalize, o parceiro de Robinson Faria na disputa pelas duas vagas que serão abertas para o Senado Federal em 2018. Presidente da AL e do PSDB no Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira é o nome ideal para atrair o PMDB para o lado de Robinson Faria, garantindo ao atual senador Garibaldi Filho (PDMB) uma vaga de deputado estadual e inserindo o filho, deputado federal Walter Alves, no chapão proporcional para a reeleição de um novo mandato na Câmara Federal.
 Toda essa engenharia política vai depender das consequências da confissão do ex-secretário da Prefeitura de Natal, Fred Queiroz, proprietário da empresa Prátika Locações, preso pela Polícia Federal na operação “Manus”, um desdobramento da “Lava-Jato”, que investiga corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro na construção da Arena das Dunas. Fred Queiroz é acusado de ter repassado recursos de caixa dois da Odebrecht, no valor de um milhão de reais durante a campanha ao governo do estado, em 2014, do deputado peemedebista Henrique Alves, derrotado pelo atual governador Robinson Faria, do PSD.
Robinson traiu o Lula e o PT e se aproximou de Temer com o filho Fabio


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