O “Mal de Robinson”

Visita do governador Robinson à Colômbia no início de 2016 (foto:internet)

(Marcus Ottoni – jornalista)
  O governo Robinson Faria vai entrar para a história do Rio Grande do Norte como a mais irresponsável, incompetente e omissa gestão pública do estado. E não apenas pelo caos na segurança pública, mas pelo desastre em todas as áreas da administração estadual que sofrem as consequências de uma política esclerosada no que se refere ao combate ao crime organizado.
  Muito diferente do período eleitoral quando o então candidato Robinson Faria - apoiado por um governo federal recheado de políticos inescrupulosos-, prometia fazer do Rio Grande do Norte um lugar seguro para as famílias potiguares onde se instalaria todo tipo de benefício para a sociedade com a garantia de um futuro dos mais promissores e desenvolvido, o governo mergulhou no caos de ponta cabeça e gerencia, ainda que agonizantemente, o desastre de uma administração que perdeu-se na seara da incompetência e da irresponsabilidade sem limites.
 Ao se deixar subjugar pelo crime organizado o governador Robinson Faria, justificando sua inércia com a falta de recursos, entregou o Rio Grande do Norte para as organizações criminosas que aqui encontraram um campo fértil para semear seus propósitos e garimpar num amplo universo de insatisfação juvenil os soldados para a guerra a que se propuseram como forma de dominar e controlar o estado governado pela incompetência política.
  Mais ainda, importaram pessoal para treinamento e doutrinação dos novos soldados do crime e foram expandindo os territórios sob seus controles enquanto o pessoal do governo assistia, em seus gabinetes refrigerados, ao macabro espetáculo da expansão do crime organizado apenas pontificando dados e estatísticas inúteis no combate a marginalidade que ganhou ares de segmento social com poder nas comunidades carentes, nos presídios e nas cidades do interior do estado.
  E o que fez o governador Robinson Faria para conter o avanço da criminalidade e combater as facções que fazem do estado um novo centro de recrutamento, treinamento e operação do crime organizado? Nada... absolutamente nada. O que é o “Ronda Cidadã”? Um programa mal copiado do Ceará, carro-chefe da campanha eleitoral e totalmente fragilizado para garantir a segurança da população e evitar assaltos, furtos, roubos, latrocínios, assassinatos entre outras ações do crime organizado ou o criminoso avulso. Além dessa mentira eleitoral, uma prazerosa viagem a Colômbia para conhecer as ações desenvolvidas naquele país para combater e reduzir drasticamente a criminalidade. O resultado: nada de concreto que aumente a sensação de segurança na sociedade e reduza as ações do crime organizado. 
  A saída para a incompetência política e a irresponsabilidade de um governante despreparado para o cargo é sempre o mesmo mantra entoado exaustivamente como se a cantilena repetida inúmeras vezes solucionasse o problema e normalizasse as relações desestabilizadas entre a sociedade e o governante inoperante: “não há recursos, falta verba, não temos dinheiro para realizar esse tipo de ação, a crise econômica é a responsável pela falta de investimentos no setor, etc e tal e tal”.
  Pura falácia. Pura diarreia verbal. Dinheiro há. Tanto há que mantém cargos comissionados desnecessários na estrutura administrativa do Poder Público abocanhando milhões de reais do tesouro estadual que poderiam estar sendo direcionados para o aumento do efetivo policial, aquisição de equipamentos e viaturas para as polícias, aprimoramento da força militar policial, instituição de programas de inteligência e tantas outras ações para o combate ao crime organizado pelas polícias do Rio Grande do Norte.
  Mas... o que governador Robinson Faria faz? Mantém os apadrinhados e penduricalhos eleitoreiros nos cargos comissionados enquanto os investimentos na segurança pública são cobrados do governo federal, numa total transferência de responsabilidade de gestão. Construir presídios novos e mais seguros até que é uma ação de segurança pública. Porém, novos presídios significam que a expectativa é pelo aumento da criminalidade e não pela sua redução, já que se abrem novas vagas para novos presos que serão feitos detentos por novos crimes cometidos enquanto conviviam na sociedade. Combate-se as consequências e não as causas da criminalidade.
  Nesse batido de incompetência e irresponsabilidade o estado vai pagando a conta da inércia de uma gestão que transforma o Rio Grande do Norte num gueto federativo onde os investimentos empresariais vão desembarcando e se transferindo para outros estados fazendo crescer o desemprego e o número de jovens sem qualquer esperança de futuro ou condições para viver com dignidade e segurança em sua própria terra natal. 
  O avanço da criminalidade e a expansão do poder do crime organizado não apenas coloca em risco a vida e o patrimônio da sociedade, também afasta empresas e indústrias, impede o crescimento do turismo e gera um desastre social que somente interessa as facções criminosas e seus agentes. Os poderes do estado, Executivo, Legislativo e Judiciário são coniventes com essa realidade e deverão entrar para a história do Rio Grande do Norte, se não como cumplices pela omissão, como irresponsáveis pela falta de ação efetiva para eliminar o crime organizado e garantir à sociedade a segurança que é um direito do cidadão e um dever do Estado.

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