A Nova Ordem: a saída do caos

(Marcus Ottoni - jornalista)
  O estado é laico e o país é democrático, ponto. O caos institucional é real e a horda de políticos inescrupulosos compõe a maioria dos poderes legislativos federal, estaduais e municipais. A Justiça não é mais cega e aplica a lei com um olho no gato e outro no peixe interpretando-a pelas brechas que os legisladores inseriram quando as aprovaram. A desmoralização da República não é um acidente de percurso, é proposital e tem seu objetivo criminoso: ignorar a sociedade e manter os privilégios de uma casta que não mais nos representa.
 Então o que fazer? Participar da “farra da demagogia” garantindo legalidade a impunidade? Colaborar para enriquecer o mantra falacioso dos picaretas de colarinho branco, seus séquitos de beija-mão e seus aloprados de causa personalista? Ser mais um inocente útil a gerar legitimidade para bandidos e assaltantes dos cofres públicos e suas maracutaias institucionais? Assistir a pirotecnia jurídica da mais alta corte do Brasil e seus exercícios de abusos constitucionais ao sabor dos interesses alheios? Vamos, novamente, pintar o nariz de vermelho e a cara de branco indignado saindo às ruas para revelar e maximizar nossa revolta e repúdio a tudo isso?
  Pedir o quê aos Poderes da República? Se para seus integrantes é que direcionamos nossa ira e nossa insatisfação. Cobrar o quê dos Poderes da República? Se os que os integram fazem ouvidos de mercador para o grito que sai das ruas. Seremos nós, sociedade, os escravos contemporâneos do reinado do escárnio e da sádica postura hedionda daqueles a quem demos o direito de falar por nós nos parlamentos? Serão eles, os que detém mandatos eletivos, os senhores de engenho dos tempos atuais com seus escravos açoitados diariamente pela inescrupulosidade de seus roubos no tesouro público? E os outros a quem pagamos salários, benefícios e garantimos privilégios faraônicos para nos ajudar a viver melhor e com dignidade, serão eles, os capitães do mato, feitores da senzala social dos dias de hoje?
  Há saída? Claro que existe. Mas também não pode ser qualquer saída ou uma saída pontual sem continuidade de transformação. Não há de ser imposição de grupos sociais ou guetos ideológicos ou religiosos. Também não pode ser uma saída para resolver questões de raça, etnia, gênero ou classe social. A saída a ser construída deve ser, sobretudo, um projeto de nação, de uma nova ordem social e política que não se limite apenas a estancar o sangradouro da corrupção e punir seus agentes em todos os níveis do Poder Público e em todos os órgãos e organismos da República. É preciso que o projeto de transformação tenha o seu hoje e o seu amanhã para não se tornar um monstro dentro da monstruosidade que se quer combater e destruir por ser um viés da maldade humana e uma cria do crime organizado em toda sua extensão e domínio.
  A sociedade não pode ser agente de sua própria indefinição. Tem que ter consciência de que o futuro é o objetivo da transformação e as ações do hoje devem pavimentar, não apenas a ruptura com o que aí está, mas sinalizar para um tempo de uma nova ordem como projeto de nação duradouro e eficaz para todos os que formam a sociedade, inclusive para aqueles que agora queremos derrotar e retira-los do cenário político do país em todos os níveis da federação.  Não há como cometer erros nessa empreitada porque a nova ordem não admite errar quando o que está em jogo é o amanhã do nosso país.
 A nova ordem deve ser plural e democrática, respeitando todos os segmentos da sociedade e garantindo os mesmo direitos para todos sem abuso ou discriminação de qualquer matiz. A nova ordem também não poderá ser omissa ou acovardar-se perante setores contrários a sua construção, agindo, sempre com a firmeza de que o caminho a ser seguido não é o da doutrinação ideológica, religiosa, de raça ou gênero, mas sim aquele que leve o país a consolidar-se como nação abrigando em seu território a diversidade da qual é composta a sociedade, respeitando as diferenças, garantindo oportunidades iguais para todos, gerenciando direitos e deveres e vivenciando a cidadania em sua plenitude e igualdade.
  Que a sociedade se organize para a batalha que virá e que, certamente, colocará um ponto final na farra hedionda da atual classe política, livrando o Brasil desse câncer institucional faz da sociedade ordeira e trabalhadora um conjunto de escravos modernos vítimas da sanha odiosa de políticos sem ética, sem caráter e sem escrúpulos para representar a sociedade brasiliana.

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