Optar pelo gestor político ou pelo gestor empresário?
(Marcus Ottoni – jornalista)
Há dois tipos de gestores públicos que se colocam antagonicamente no exercício da função. Um, oriundo do mundo político sem qualquer atividade na área da administração, mas carismático e sempre apresentando aos eleitores soluções mirabolantes para os problemas normais de uma gestão pública em todas as áreas, se caracteriza como político profissional.
Outro, com histórico empresarial ao longo de sua vida e, geralmente, estreante na atividade política para onde foi direcionado como agente da transformação da gestão pública com desempenho semelhante ao implantado numa grande empresa com problemas diversos e com soluções pontuais e peculiares, é o que se classifica como empresário político.
Ambos vão encontrar os mesmos desafios durante seus mandatos. Para vencê-los e garantir a sociedade seus direitos fundamentais irão ter que usar toda experiência acumulada até então e colocar em prática o que acreditam ser o melhor caminho para resolver as questões em pauta sem penalizar a sociedade e sem gerar problemas futuros como conseqüências de medidas erradamente tomadas no presente.
Com recursos deficitários comprometendo a gestão pública e com vícios administrativos incorporadas em décadas de administrações desastrosas e populistas, os dois gestores (o político e o empresário) irão assumir posturas diferenciadas e buscar caminhos diferentes para solucionar aquilo que entrava o andamento da gestão, no todo do Poder Público ou em áreas pontuais da administração.
O gestor político, como temos visto ao longo da história e exemplos estão aí para comprovar, irá utilizar sua influência política no mundo federativo para tentar arranjar mais recursos para resolver o problema, porque para ele, o Poder Público só funciona plenamente com recursos assegurados e gordura financeira para gastar quando necessário e para inflar sua gestão junto a opinião pública com projetos e programas fantasiosos e falaciosos que iludem e comprometem, não apenas a própria cidade, estado ou nação, mas a vida de todos os habitantes do lugar.
Para esse tipo de político, cuja experiência empresarial são muitos zeros à esquerda, todo problema tem sua solução pela via econômica, inclusive a subserviência da oposição e o apoio da situação, sem falar na cooptação de lideranças estranhas ao ninho do gestor político. Mesmo mantendo a máquina pública inchada de parasitas e aspones financiados com recursos do minguado tesouro público, eles sempre estarão atrás de mais dinheiro para resolver velhos e graves problemas que afligem e condenam a sociedade a uma vida de privações e humilhações, numa dependência crônica, não do Poder Público, mas do gestor político em atividade no cargo executivo.
O gestor empresário, cuja experiência vem do trabalho diário e da lida com empregados e obrigações trabalhistas e impostos, saberá sempre que o sucesso de sua gestão não passa apenas por recursos fartos que garantam a tranqüilidade do funcionamento da máquina pública em todas as áreas. Mas tem plena consciência de que o Poder Público deve ser uma ferramenta de promoção do bem comum e isso só se concretiza plenamente com uma gestão enxuta e capacitada profissionalmente.
A escassez de recursos por causa de uma crise financeira é sempre conseqüência de gestão desastrosa que penaliza o contribuinte e garroteia com pesados impostos aqueles que geram riqueza e emprego, e que são responsáveis por fazer a economia girar, produzindo desenvolvimento. Por isso e, diante de uma situação adversa, o gestor empresário sabe como lidar e resolver a questão da falta de recursos que impede essa ou aquela ação de ser executada ou que, teoricamente, engessa a gestão pública, podendo gerar déficit orçamentário em escala dominó ampliando-se por anos seguidos.
O ponto fundamental de qualquer gestão pública é o corte na própria carne, eliminando excessos como a superlotação funcional com a entrada de centenas, se não milhares, de cargos comissionados que abocanham uma gorda fatia dos recursos para não fazerem praticamente nada ou apenas clonar, sem capacidade, atividades que funcionários de carreira executam há anos com competência e profissionalismo.
Cortar os cargos comissionados é o primeiro passo. Reduzir o custo da máquina pública com controle das atividades monitorando despesas em setores burocráticos do Poder Público; racionalizar o consumo de elementos necessários a ação de agentes públicos aumentando o poder de atuação com menor desperdício; erradicar despesas onerosas com benefícios para empresas privadas; capacitar e qualificar servidores com atuação em áreas fins da gestão pública e desburocratizar o atendimento do público; além de criar canais de interação com a sociedade, humanizando a cobrança dos impostos e taxas, é uma estrada que certamente o gestor empresário irá trilhar para superar a crise de escassez de recursos.
Evidente que o fator político em ambos os casos é realçado em dois tons. No gestor político, pela necessidade de esconder a incompetência administrativa e se manter no poder por um longo período desfrutando das benesses inescrupulosas que esse poder garante a esse tipo de gestor. Por isso, quanto mais inchar a máquina pública e quanto mais recursos conseguir será fundamental para o sucesso dele, não da administração pública.
Já o gestor empresário, cujo envolvimento político é meramente uma condicionante para sua eleição, vai utilizar a atividade como ferramenta para construção de políticas públicas voltadas para a sociedade, racionalizando os métodos, inovando as práticas da gestão e usando o meio político para garantir que a população seja, efetivamente, a maior beneficiada com as ações do poder público em todas as áreas. O sucesso do gestor empresário não está em quanto ele pode agradar o mundo político ao seu redor, mas, sim, em quanto ele pode melhorar a vida da sociedade que lhe deu o mandato e o colocou como empregado do povo no Poder Público.
Vale ressaltar que em ambos os casos há honrosas exceções de gestores políticos positivos e desastrosas exceções de empresários gestores negativos.
Vale ressaltar que em ambos os casos há honrosas exceções de gestores políticos positivos e desastrosas exceções de empresários gestores negativos.
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