Fora Temer e fora todos os políticos da "alcateia parlamentar" do Brasil
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(foto internet) |
(Marcus Ottoni – jornalista)
Que o governo Temer politicamente é um desastre, isso não é novidade para ninguém. Se na economia os ministros vão acertando e contribuindo para que o país respire um pouco e comece a deixar a zona de caos em que a ex-presidente Dilma Rousseff enfiou o Brasil, na política a coisa vai de mal a pior com tendência ao desmonte acelerado de sua base no Congresso Nacional e da total desmoralização popular de um governo que tem em seu DNA político o legado lulopetista da corrupção e da demagogia fanfarronizada.
O que não dá para entender é porque partidos cujo histórico sempre o colocaram na vanguarda política do país agora se misturam no caldo podre de um governo que está aí por circunstâncias constitucionais, mas que deveria ter sido apeado do poder na ação movida pelo, não menos corrupto, PSDB contra a chapa dos 54 milhões de votos duvidosos Dilma/Temer. Mas, foi absolvido pela intolerância social da maioria do Tribunal Superior Eleitoral que decidiu na contramão da sociedade brasileira.
Tudo bem. Até porque não se chora o leite derramado e sim, corre-se atrás da vaca para tentar ordenha-la novamente e tirar ainda o resto do leite que ficou nas tetas do animal. No caso em questão, nas tetas da democracia. Posto assim, o que nos assegura ela? A continuidade do processo que aí está, gostemos ou não. Podemos até integrar o exército esquerdopata ferido em seus brios de “revolucionários sem causa” e fazer coro no mantra “fora Temer”, que na verdade é mais uma peça de campanha eleitoral do que uma vontade férrea e inabalável de faxinar a política brasileira. Algo como varrer o lixo para debaixo do tapete e não joga-lo no incinerador para não correr o risco de ser queimado também.
Em verdade, nada do que aí está e que faz parte da atividade política nos últimos 14 anos e, indo mais além, desde a tal “semi-democracia” implantada pelo ex-cacique maranhanse José Sarney depois que, misteriosamente uma diverticulite tornou-se infecção generalizada causando a morte do presidente eleito pelo colégio eleitoral Tancredo Neves, que o Brasil foi pro brejo e tudo se demagogicou pela classe política, inclusive a panaceia da constituinte de 88 que não definiu se o Brasil seria uma nação ou se o país seria a pátria da canalhanice generalizada.
De lá pra cá a pátria que não é nação viu seu destino ser desfigurado e a sociedade intercalar momentos de decepção explícita com tempos de euforia desenfreada. Mas no fundo o que a sociedade não percebeu é que, na sombra do poder e por debaixo dos panos, a classe política atuante no Brasil nos últimos 33 anos aprimorou a propinação e o roubo escancarado do tesouro público de formas diversas, culminando com a institucionalização da corrupção no governo Lula da Silva e o desastre atual do país, principalmente na esfera política em todos os seus níveis: federal, estadual e municipal.
Conta-se nos dedos, isso em todo o território nacional, os políticos que usam a atividade política para beneficiar a sociedade com ações, projetos e leis voltadas para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. São poucos, muitos poucos num universo que supera a casa dos milhares de políticos, talvez até mesmo milhões de políticos se contarmos aqueles que não tem mandatos mas que servem de escada, ou "batedor de esteira", para o roubo dos que tem mandatos. Mas existem os honestos e merecem nosso respeito e o voto do eleitor para renovarem seus mandatos.
Porém a grande parte é nociva a sociedade e pernóstica na atuação política. Estes devem ter seus mandatos cassados pelo eleitor e, culpados por crimes contra o patrimônio público devem ser condenados sem privilégios e amargar uma temporada na cadeia. E não importa se é do PT, PMDB, PSDB, PSD, PCdoB, PSol, PDT, PV, PRB, PP, PPS, PTB, DEM, Solidariedade, Podemos, Rede, ou que sigla pertença o político sem escrúpulo e sem ética ou moral para representar a sociedade nos parlamentos. Até mesmo pela convivência interesseira pontual de cargos e benesses do poder público.
E aí, acompanhando o dia a dia da política brasileira fico sem entender as razões que levam partidos comprometidos com lutas históricas do povo brasileiro a se misturam no charco podre de um governo que é o legado do lulopetismo e trás na cara a marca da roubalheira. Tem partido, pelo que vejo, que bate e assopra. Tem ministro de estado, cargos em segundo escalão, mordomias gerais e afaga, nesse caso, o governo Temer. Ao mesmo tempo em que a bancada discursa e vota contra o presidente nos momentos em que ele precisa de apoio parlamentar. Se isso não é o retrato da incoerência, é talvez, a a hedionda necessidade de sobrevivência partidária construída sobre uma dubiedade de postura, pouco recomendada a partidos que dizem ser a legítima esquerda do Brasil.
Temer, como Dilma, Lula, Aécio, FHC e todos os outros em franca atividade no país não representam o povo brasileiro e por isso devem ser excluído da atividade política nacional. Na verdade, poucos, como já escrevi anteriormente, são os que verdadeiramente representam o povo do Brasil nos parlamentos. Essa “alcateia política” em evidência se prostituiu com o dinheiro público e desmoralizou a atividade política no país. Por isso devem ser excluídos da atividade por meio do voto que um dia os colocou em ascensão e que eles não souberam respeitar.
Não é apenas fora Temer. É fora todos os políticos de seus mandatos. De todos os partidos com assento nos parlamentos. É a faxina geral. É a nova ordem para o país e para a política brasileira.
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