São legítimos, constitucionais e corruptos


(Marcus Ottoni – jornalista)
  O governo Temer não é ilegítimo e muito menos golpista. É o legado constitucional do lulopetismo com todas as mazelas oriundas dos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff, incluso no pacote a corrupção institucionalizada e as mesmas ferramentas usadas pelos governos que o antecederam para corromper, aliciar e manter-se no poder custe o que custar.
  Não há erro em afirmar que o governo Temer é legítimo, constitucional, corrupto e corruptor haja vista seu histórico ao longo dos quase 20 meses em que comanda a República. Além disso, trás em seu DNA o estigma da roubalheira dos cofres públicos com ou sem laranjas, uma quadrilha supra partidária sensível a propinas e privilégios, além de ter em sua órbita o mais hediondo e nefasto parlamento que a história republicana do Brasil já produziu, sem falar em um Judiciário comprometido até a medula jurídica da Corte com práticas pouco recomendadas a seus ministros.
  Por isso, fica descabida, desatualizada e caluniosa as afirmativas de partidos de oposição ao governo Temer de que ele é o “demônio” da gestão brasileira e o “monstro predador” dos direitos da sociedade, principalmente dos trabalhadores humildes e excluídos. Todo esse discurso oposicionista tem como pano de fundo encobrir o que o PT e seus penduricalhos partidários, como o PCdoB, PDT, PSol, entre outros, orquestraram contra a sociedade brasileira e contra o tesouro nacional nos últimos 14 anos, durante a maléfica era lulopetista, como também, preparar a plataforma eleitoral de 2018 apostando na tal “memória curta” do povo brasileiro para retomar o poder perdido.
  E escrevo isto sem qualquer intenção de defender o governo Temer. Mas apenas para desmascarar os argumentos da oposição levados até a sociedade brasileira como “verdade absoluta” e “luta contra nenhum direito a menos”. Tão falacioso como esse mantra da oposição é a cantilena choraminguada da base de apoio ao governo do PMDB que se transforma em um “caldeirão demagógico” de olho na renovação dos atuais mandatos inescrupulosos que compõem o Congresso Nacional, e que, na verdade, deveria ser classificado como o poder republicano  da “vergonha nacional”.  
  Não há como dissociar oposição de situação no Congresso Nacional porque nessa legislatura, como as que a antecederam desde 2003, não representa os anseios da sociedade brasileira e muito menos opera na atividade político-parlamentar para gerar ação em benefício para a população. Nos últimos 14 anos o Congresso Nacional atuou apenas e tão somente para a perpetuação dos mandatos de seus senadores e deputados e como “lagartixa” do lulopetismo a quem obedecia cegamente e, por isso e para isso, foi muito bem gratificado no mensalão, no início, e, posteriormente, no propinoduto da Petrobrás.
  Infelizmente não se pode classificar nenhum deles como ilegítimos porque estão onde estão pelo voto popular e democrático do povo brasileiro, inlcusive o atual presidente que, junto com a ex-presidente petista Dilma Rousseff, recebeu mais de 54 milhões de votos em todo o território nacional. São legítimos, constitucionais, corruptos e corruptores. E pelo andar da carruagem, pretendem continuar assim por muito mais tempo. Isto é: articulando maracutaias eleitorais para que o eleitor seja obrigado a decidir a favor de seus mandatos no ano que vem.
  Se essa horda de políticos inescrupulosos age para continuar impune e com privilégios que nenhum outro trabalhador brasileiro tem, o que cabe a sociedade ordeira do país? Por um fim a essa farra nababesca da bandidagem de paletó e gravata da política brasileira e estancar a sangria da ética e da moralidade no Brasil, transformando com o voto o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e a presidência da República, votando contra a “rapaziada do lulopetismo”, esteja na situação ou oposição ao governo Temer do PMDB, em todos os partidos com representantes nos parlamentos.
  Não há como tirar o país do caos político em que se meteu por obra e graça dos políticos que atuam no Brasil desde 2003 sem que o povo retire deles, os atuais parlamentares e mandatários dos Executivos federal e estaduais, o mandato que tentam e querem renovar (fixo o ano de 2003 porque foi a partir dele que a sociedade foi traída, desfigurada e transformada em massa de manobra para a manutenção de ladrões e quadrilheiros nos poderes da República). 
  Estabelecer uma nova ordem política no Brasil não passa pela manutenção dos atuais políticos que exercem mandatos eletivos, nem no plano federal, nem nos planos estaduais. Também não se abriga no conceito da nova ordem política o retorno de políticos tradicionais aos cargos majoritários, tanto na esfera federal, como nos estados da federação. Votar naqueles que já estiveram no Poder Executivo e lá orquestraram o que de pior existe em gestão pública, institucionalizando práticas nada republicanas e honestas, é retroceder e apoiar o escárnio de uma classe para quem o mundo gira em torno de seu umbigo e a cidadania é o pleno  exercício da roubalheira dos recursos do contribuinte.

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